ARTE DAS LETRAS

sábado, 31 de outubro de 2015

PENSAMENTO - MINHA CASA MATERNAL


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CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 9o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                         9o. Capítulo

                                   ....  continuação

- Tá bom, vó. Obrigado pelos clareamentos das minhas ideias.

A equipe da TV chegou à cidade e foi direto à Prefeitura.
O prefeito quis saber como foi a recepção dos caiçaras. Ricardo foi direto:

-  Caetano, pelo amor de Deus pões luz naquela ilha! Eles não têm luz elétrica! Em pleno século vinte e um, pertinho daqui, e eles vivem à base de candeeiro?!  Me poupe!  Eles nos receberam muito bem, desconfiados, mas nota-se que é gente boa, não há sentimento belicoso.

- Por luz lá custa dinheiro. Depois, eles estarão dispostos a pagar o consumo? Quem paga a conta?  Posso pedir que instalem eletricidade na ilha, mas isso demanda tempo.
- Nada disso. Caetano, se você quer levar eletricidade, luz para aquela gente, eu resolvo isso em dias. A emissora tem como agilizar isso em três tempos.  Basta um toque meu lá na direção e o resto vem depressa. Eu não posso ficar carregando gerador para a ilha. Eu vou precisar de eletricidade.
- Mas e a conta?
- Ora Caetano! Você é candidato à reeleição tenho certeza, depois se fazem os ajustes. Sabe da história de apoio à candidatura, não é? No fim sai até barato para você.
- E no futuro quem paga o consumo? Sim, porque eu não posso custear o consumo de luz da ilha.

- Meu amigo, eles pagam!  Quando usarem luz elétrica, tomarem o gostinho de ter luz em casa, geladeira, televisão e banho quente no inverno, quero ver se eles mandam desligar ou  pagam a conta. Não tem esse que não goste do que é conforto.
- Tá bom! Quando você vai ver isso junto lá da emissora, porque se eu depender dos trâmites legais, luz na ilha nem ano que vem. Sabe como são as coisas, não é?
- Deixe comigo. Vou voltar lá amanhã para saber a resposta do Getúlio, pescador mais velho.  Isso é só  pro forma , porque eu vou gravar minha novela lá, sim!   O lugar é o que eu procurava. A ilha é linda, perfeita para o ambiente da novela. Agora, vou para o hotelzinho, falar com o pessoal da emissora para tratar alguns negócios. E depois, descansar, peguei muito  sol, muito calor.  Que tal jantarmos hoje,  Caetano?
- Tudo bem, jantamos às oito horas lá no Mariscos, certo?  

Na ilha, àquela noite,Vó Miranda mandou preparar tudo para a ciranda. Queria todo mundo no terreiro. Combinou com Getúlio,  Zé da Conceição e Cauê que eles tinham que contar sobre a TV e  avisar como seria o proceder de todos, enquanto os homens estivessem por lá.  

Todos já estavam no terreiro, bebendo refresco, aluá, comendo beiju e pamonha. Num canto, Cauê tocava sua viola baixinho, Fininho deitado aos seus pés. Jani, Ariel, Açucena falavam abertamente sobre a TV:
- Eu não disse que vi o carro da TV na porta da Prefeitura?
- Eles vieram aqui.  Soube que vão morar aqui por uns tempos. Disse Ariel.
- Não é nada disso. Eles só querem filmar aqui. Disse Açucena.
- Isso aqui vai ficar cheio de artistas! Disparou Jani.
- Quando será que eles vêm? Perguntou Ariel.
- Loguinho.  Respondeu Jani.

Vó Miranda bateu palmas chamando o povo para que se calassem e ouvissem o que Getúlio tinha a dizer:
- Pessoal, o caso é que os homens da TV estiveram aqui. Eles querem filmar a novela deles nesta ilha. Vieram pedir nosso consentimento. Vamos deixar que filmem, mas temos algumas imposições a fazer. Pra vocês, eu recomendo prestarem a atenção no seguinte: nada de conversa com eles, principalmente as mocinhas, rapazes e crianças. Eles vão filmar de dia e, à noite, têm que ir embora. Nosso trabalho continua o mesmo de todo dia, cada um sabe da sua obrigação. Eles ficam prá lá e a gente prá cá. Nada de ficar oferecendo comida e bebida, só se for uma água, porque água não se nega a ninguém. Não quero saber de novidades. As mães que olhem as meninas. A gente tem que levar nossa vidinha normal. Ah! E nada de convidar nenhum deles pra ciranda.  Tamos entendidos? Alguém tem pergunta?

- E se eles pedirem?  Falou a espevitada  Jani. Cauê olhou a irmã com olhos fuzilantes e ele mesmo respondeu:
- Pedir o quê?
- Sei lá. Pedir qualquer coisa, como um pedaço de pão.

- Deixa de ser besta, Jani!  Pra que eles querem pão? A comida deles é por conta deles. Só água, como disse Getúlio. E se não ficar perto deles não há chance deles pedirem nada, Entendeu? Você vai ficar com a mãe, lá em casa. E agora vó Miranda, vamos começar nossa ciranda. 

                                                      continua....

by Didi Leite

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POESIA - SOU


SOU

Sou porosa na vida.
Tenho sentimentos oscilantes,
que me fazem alegres
logo depois tristonha.
Sinto medo, sou intrépida e corajosa.
Confio, desconfio e me resguardo.
Não choro, me amarguro.
Decido e me arrependo.
Vou um posso à frente e dois pra atrás.
Sou pêndulo.
Sou incompreensível para mim.
Desisto de me entender.
Às vezes fechada em concha,
outras flor aberta.

Tenho  modos, maneirismos
de quem vive no ar.
Gosto do mar e sequer sei nadar.
Posso ser agradável,
mas desagrado sem me censurar,
Voo com os pássaros,
mas pés fincados no chão.
Canto o canto de uma sabiá,
mas sequer sei cantar.
Sou porosa,
de certo orgulhosa,
rebelde sem rebeldia.
Muito mais sou,
não sou médico, sou louca
de tudo tenho um pouco.
Vivo sem meta
Vou empurrando a  vida como sou.
Porque sou poeta!

by Didi Leite

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POESIA - LÁPIS DE COR


LÁPIS DE COR

Lúdica volta à infância.
Fila de cores inspiradas na natureza.
Tantos tons,
tantas nuances,
arco íris que se desdobra em beleza.

Da caixa saltam
cores,
poesias,
desejos de colorir
e convites a criar.
Ninguém resiste a um lápis de cor,
dar uma riscadinha
só umazinha.
pra ver como fica no papel...

Lápis de cor
na mãozinha da menina,
quanta delicadeza!
Mas agora virou mania
todo mundo a pintar com alegria.

by Didi Leite

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PENSAMENTOS - DE MARTHA MEDEIROS


PÁGINAS SOLTAS - COMEMORANDO DRUMMOND


O Poeta Carlos Drummond de Andrade se vivo fosse estaria completando, hoje,
113 anos.  O Poeta nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902.

Um dos maiores poetas da língua portuguesa, assim dizem os críticos de Literatura, eu digo o maior de todos.

Selecionei, entre vários poemas, Quadrilha que acho bastante instigador, onde o Poeta faz um jogo dos sentimentos e fatos da vida humana. Não há em Drummond, Poeta moderno, nenhuma marcação de rima.
Hoje ele deve estar fazendo poemas para Deus!

Quadrilha


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o 
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.


by Didi Leite

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PENSAMENTOS - DE BONDADE


by Didi Leite

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PÁGINAS SOLTAS - BOM DIA COM DESCANSO


by Didi Leite

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 8o.Capítulo


A ILHA DE PEDRA BRANCA    -   Romance

                                       8o.Capítulo

                                   ...  continuação

- Ah, seu Getúlio, a doutora Elizabete vai lhe explicar o que quer aqui. Disse  Celso.
- Seu Getúlio, meu caso é simples. Eu não vim pedir nada, eu vim avisar.
Trabalho para o governo, Ministério  do Meio Ambiente, e tenho que fazer um estudo do tipo de mata que há na ilha. Quem me mandou aqui foi o governo. Tenho que fazer este estudo.  Vou precisar apenas de uma colaboração no sentido de que alguém me leve até o início da mata e me indique algum caminho, alguma trilha. O resto me viro sozinha. Estou acostumada a me embrenhar em matas, em selvas mesmo. Não vou tirar nada daqui.  Faço meus estudos e vou embora. Isso não é para mim, isso é para o governo que quer esse estudo. É uma história de preservação, que depois explico melhor. Disse tudo isso olhado para Cauê.

Todos beberam água e Ricardo olhava tudo em volta dizendo: - Maravilha! Lugar perfeito! É isso que procurávamos. Vai ser aqui, que a novela vai ser rodada!
 Depois, entraram nos botes e rumaram para o barco, que na realidade era um iate, e foram embora.

Depois que o pessoal da TV se foi, os pescadores ficaram reunidos falando sobre o assunto. Getúlio falou do seu medo que isso fosse danoso para os moradores da ilha.

- Tenho que pensar nas crianças e nos jovens. Esse pessoal pode vir pra cá com ideias. Não sei, isso tudo me deixa preocupado. Disse Getúlio.
- Mas é só não aceitar, Getúlio. Nós não somos obrigados a deixar que entrem aqui pra filmar suas novelas. Disse Cauê, a que contrapôs Zé da Conceição:
- Mas se eles quiserem mesmo, eles vêm,  ficam e filmam, e, a gente não vai poder impedir. A ilha não é propriedade nossa, a ilha é do governo, nós não temos papel de propriedade desta ilha.
- Mas e o tempo que a gente tá aqui não conta? Todos nós nascemos aqui, vivemos aqui, cuidamos da ilha. Isso é nosso, sim! Disse o jovem Donato.  Cristovão, que estava à parte, entrou na conversa:
- Com essa gente, tem que se ter muito cuidado e tato. Eles são todos sorrisos no início, mas depois... Conheço esse tipo de conversa que faz mil promessas e depois arrancam até a alma da gente.
- Vocês me desculpem, mas vou entrar nessa discussão pra dizer que não há nada a temer. Deixem que eles filmem suas histórias aqui, a gente tem é que impor nossas condições. Não adianta abrir guerra, afinal do que é que a gente tem medo? Eles não podem usar ninguém da ilha nos seus filmes, não devem pernoitar aqui, como também devem trazer ou fazer sua comida.
Cobra-se um bom dinheiro pelo espaço que eles querem usar e pronto. Depois que eles acabarem a tal novela, vão embora e fica tudo em paz por aqui.  Disse Sebastião,  segurando nas mãos sua faquinha e um entalhe já começado.

 Getúlio disse a todos:
- Vou falar com vó Miranda. É sempre bom ouvir o que ela acha de tudo isso. Vocês sabem da história da tal de Janaína, não sei se é verdade ou não, mas o certo é que foi embora com um estranho e nunca mais voltou. Fico preocupado com nossos jovens, nossas filhas e filhos novinhos.

Vó Miranda e dona Celeste, mãe de Margarida, escutaram toda a história que Getúlio contou e também da sua dúvida em consentir que os homens da TV fizessem as filmagens da novela ali. O velho pescador falou das mocinhas e dos rapazes que começavam a florescer para a vida e podiam ficar com as ideias perturbadas pela presença daquela gente. Getúlio tinha medo que eles fossem embora da ilha atrás de sonhos que não existiam. Vó Miranda suspirou fundo e falou para seu velho amigo:
- Getúlio, se você está com dúvidas é porque quer deixar que eles venham.            
-  Não, vó Miranda!
- Se você não quisesse, você já negava na hora e ponto final. Eu penso que você pode deixar, mas ponha seus pontos de limite. Pronto! Ora, Getúlio que mal eles podem fazer? A gente põe tento nas crianças e não deixa eles entrarem nas casas, se espalharem no que é nosso. Ao redor podem filmar o que quiserem. Agora, Getúlio, se eles falaram em pagar veja isso direitinho.
Tenha medo, não! Eles não vão dormir aqui, né?
- Não. Eles disseram que vão fazer tudo de dia.
- Então sossegue seu coração! Deixa eles virem. Fala com os outros pescadores, conversa com Cauê e Zé da Conceição.

- Tá bom, vó. Obrigado pelos clareamentos das minhas ideias.

                                                          continua....

by Didi Leite

PENSAMENTOS - DETALHES DE FELICIDADE

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POESIA - VIVE COMO?

COMO É QUE É?

Não toma vinho,
não tolera cerveja,
 não gosta de café
e refrigerante nem pensar.

Não come carne,
colesterol.
Não come doces,
glicose.
Não aceita massas,
engordam.
De pão não vai,
foge do glúten.
Levou leite,
olhe a lactose.
Verduras e legumes,
agrotóxicos.
Embutidos e frios,
cancerígenos.

Cruzes!
 Mas não gosta de nada,
não come  nada,
não aceita nada
e vive de quê?
Tá fazendo o quê na  vida?
E água bebe?

by Didi Leite

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POESIA - É PRECISO


É PRECISO

As chuvas aprisionam,
o sol liberta.

As chuvas deixam a alma nostálgica,
o sol contagia alegria.

Precisamos desse sobe e desce
do humor pra vida acontecer.

Os pássaros e as flores agradecem
as  alternâncias do tempo.

Se é preciso sol pra cantar,

também  é preciso chuva pra verdejar.

by Didi Leite

PÁGINAS SOLTAS - LOGO O SOL VAI VOLTAR


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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

PÁGINAS SOLTAS - BOM DIA COM CHUVA


By Didi Leite

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CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 7o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -  Romance

                                            7o. Capítulo

                                            ... continuação

Os pescadores esticavam as redes no varal, bem perto da praia, para procurar buracos e alguma parte rasgada e consertarem com a ajuda de Cristovão. De repente, Getúlio esticou as vistas para o mar e viu um barco grande, todo branco se aproximando. O cão Fininho começou a latir.

- Vixe minha mãe! Aí vem gente!  Olha lá Donato, espia Cauê!
- Que é aquilo? Algum desgarrado que se perdeu pra essas bandas? Disse Cauê.
- Vão já bater nas pedras. Disse Donato.
- Vão não! O mestre do barco do gelo vem com eles. Disse Zé da Conceição.

O grande barco parou, desceram dois botes e neles embarcaram três homens e uma mulher. Chegaram à enseada, desceram e postaram sorrisos no rosto e disseram:
- Bom dia! Quem é Getúlio?
- Sou eu mesmo. Respondeu o velho pescador.
- Muito prazer! Eu sou Ricardo. Seu Getúlio, queremos falar com senhor. Podemos conversar?
- Sim! O que se passa? O que os senhores querem de mim?
- Olhe, há algum lugar mais fresco, com sombra onde possamos sentar?
Está um calorão e estamos cansados e suados. Esse sol está forte mesmo.
Fininho latia e corria, voltava e latia. Cauê mandou o cão se aquietar.
- Sim. Vamos até o terreiro coberto, lá onde fica a escola. É logo ali.
Zé da Conceição, Donato e Cauê se acercaram de Getúlio e todos foram caminhando para a escola. Cristóvão olhava aqueles homens nos olhos e parecia que tinha conhecimento da conversa e jeito deles.  Chegaram ao galpão e todos sentaram, menos Cauê que ficou de pé, de frente para os homens e a mulher, e ao lado de Zé da Conceição. Ricardo despachado apresentou o resto do pessoal:
- Esta é a doutora  Elizabete, é bióloga, veio de carona com a gente. O assunto dela é outro, diferente do nosso. Depois ela fala com o senhor. Estes são Davi e  Celso. Nós somos da TV NORTE SUL BRASIL. O senhor já ouviu falar da nossa TV, não é?

- Sim. Às vezes, quando ligamos aquela televisão ali, vemos o nome da sua televisão. Mas o que tudo isso tem a ver comigo, com a gente?

- Bem, senhor Getúlio, nós fazemos novelas e estamos querendo fazer uma novela, mas precisamos  gravar, quer dizer filmar, num lugar afastado, sem progresso, bem rústico. Rústico não, quero dizer bem simples, bem natural, que tenha a natureza como meio de vida. O senhor está entendendo?

- Estou sim. Os senhores querem um lugar primitivo, onde só haja pessoas e casas do lugar, sem influências dos modernos.

- Isso! Boa seu Getúlio! É isso mesmo! O senhor entendeu muito bem o que queremos. Queremos filmar, gravar uma novela aqui na ilha.

- Nós, aqui, não somos tão ignorantes assim.  Disse Cauê.

- Seu Ricardo, isso que o senhor quer vai alterar nossa vida em Pedra Branca. Nós temos nossa paz, nossa vidinha e tem dado certo até hoje. Disse Getúlio.

- Não! Nós não vamos mexer em nada. E também será rápido. Serão só alguns dias. Faremos as tomadas das cenas e depois vamos embora. Não vamos desmanchar nada, estragar nada. Muito pelo contrário, se tivermos que construir alguma coisa, isso ficará para vocês usarem. E também não vamos chegar aqui e fazer tudo isso sem pagar. O senhor nos dirá quanto quer para ceder o espaço para nossas gravações e pagaremos o justo valor.
Também não vamos pernoitar na ilha, vamos gravar de dia.

- Não é uma questão de dinheiro, temos nossas famílias, nossas crianças, nossas moças e os mais idosos. A paz não tem preço. Disse Cauê. O que foi aprovado por Zé da Conceição, Getúlio e Donato.

- Vamos fazer o seguinte, seu Getúlio, o senhor pensa, conversa com seus amigos, e, depois de amanhã voltamos aqui para saber sua resposta. Agora, podemos beber uma água? Posso dar uma olhadinha na ilha? Só olhar.
- Tá bem, vamos pensar.  Vamos lá beber sua água e no caminho o senhor olha a ilha. A senhora quer água, doutora?
- Sim. Aceito.

- Ah, seu Getúlio, a doutora Elizabete vai lhe explicar o que quer aqui. Disse  Celso.

                                                            continua...

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POEMAS - O NASCER DA POESIA


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PENSAMENTOS - DE APRENDER E ENSINAR

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PENSAMENTOS - DE BANALIDADE


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PENSAMENTOS - A ARTE DE ESPERAR


A ARTE DE ESPERAR

Esperar é uma arte.
Saber esperar é um exercício.
Ter que esperar é um fato.
Esperar sem se exasperar é um domínio do eu.
Esperar tanto, que até se esquece  o que espera.

A gente espera pra nascer um dia e espera não morrer um dia...

by Didi Leite
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PÁGINAS SOLTAS - BOM DIA CHUVA DE PRIMAVERA


by Didi Leite

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 6o. Capítullo


A ILHA DA PEDRA BRANCA    -   Romance

                                    6o. Capítulo

                                    ... continuação


Sebastião é filho de Zé da Conceição, mas não pesca com o pai. O rapaz é artesão da madeira, faz entalhes, esculturas, é na verdade um artista. Seus trabalhos são vendidos lá no continente, e ele os vende muito rápido, visto a beleza que são. Logo ele recebe mais encomendas e assim está sempre sentado com seus entalhes nas mãos. Ariel, moça brejeira, está sempre grudada em Sebastião, ficam horas conversando. A moça fica falando para o rapaz que eles deviam ir embora da ilha, lá fora ele ganharia mais dinheiro. Ariel nutre um sentimento interesseiro por  Sebastião, pois vê nele uma chance de sair da ilha. Este gosta mesmo de Ariel, mas sempre diz que não pode abandonar os pais que já estão velhos. Cita o exemplo de Cristovão. A que Ariel responde:
- Mas você não abandonaria seu Zé  e dona Betina, nós voltaríamos de vez em quando aqui pra visitar, passar uns dias...Se você gosta de mim como diz, devia pensar no que estou dizendo: - Irmos embora desta ilha e ganhar a vida, viver a vida fora daqui. Aqui a gente só tem essa vidinha que a gente leva. Vida pequena.
- É Ariel, mas é uma vida segura. Junto da nossa gente.
- Sebastião, isso é vida de caiçara. Nós sempre vamos ser caiçaras.
- Não sei. Não sei, não! Isso é coisa pra se pensar muito.
- Ah, então fica aí pensando, Sebastião!
E a moça saiu de perto do rapaz e foi para casa.

Numa noite de ciranda, noite de lua nova, estava tudo mais escuro, a fogueira já ardia no terreiro e vó Miranda ainda não tinha começado a cantoria, quando Donato viu Jani sentada nas pedras, lugar mais afastado. O rapaz foi para junto da moça e resolveu falar dos seus sentimentos e interesse por ela.

- Jani, tá aí sozinha, cadê Açucena, Ariel e as outras moças?
- Não sei. Tão vindo aí daqui a pouco.
- Jani, eu conversei com Cauê e ele até aprovou, queria falar com você.
- Falar o quê, Donato?
- Que eu acho você uma moça muito bonita, que eu gosto de você, e queria que você fosse minha namorada.
Jani ficou surpresa e irritada com a declaração do rapaz de que já havia falado com Cauê.
- Donato, eu gosto de você, mas não sei se é pra namorar. E Cauê não manda nos meus sentimentos. Cauê não manda em mim. Ele fica tomando conta de mim, fica no meu calcanhar como se fosse um cão guardador, que nem o Fininho. Você não tinha que falar nada com ele.

- Jani, o Cauê é meu amigo, se ele não me aprovasse ia ser difícil a gente namorar. Ele ia fazer guerra. Mas não falei por mal. Também não é pra você se aborrecer. Jani eu te gosto há muito tempo.
- Donato, vou pensar em tudo isso e mais o que estou pensando, coisa que não posso lhe contar agora. Depois eu lhe dou uma resposta sobre namoro, olhe já vem vindo Ariel e Margarida. Depois a gente fala.

Donato viu as moças chegarem, cumprimentou-as e saiu para as bandas dos comes e bebes que já  estavam  na mesa ao ar livre.
As moças acharam Donato com a cara diferente e Margarida perguntou a Jani:
- Que bicho mordeu o Donato? Ele tava com cara de chorão.
- Nada demais, ele tava me pedindo em namoro, disse que gosta de mim.

Nesse instante, Margarida ficou séria e curiosa. Margarida tinha um sentimento escondido por Donato, mas o rapaz  não notava. Ela muito tímida, nunca falara desse sentimento para ninguém, nem para as amigas.
Era segredo do seu do coração. Ela indagou a Jani:
- E você, o que foi que você disse? Você também gosta dele?
- Ah, não sei. Não disse nem sim nem não. Tô com muitas coisas aqui na cabeça. Disse que depois eu respondia.

- Jani, o Donato é um rapaz bonito e de muito bom coração. Falou Ariel.
- Mas ela tem que gostar dele, se assim não for, eles não devem namorar.
Retrucou Margarida.


- Ih! Gente, não vamos falar disso. Tem coisa mais importante no meio. Hoje, o Januário me disse que o carro da TV tava outra vez lá na Prefeitura.

                                                              continua....

by Didi Leite

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POEMAS - PEDACINHOS QUASE VIVIDOS



PEDACINHOS QUASE VIVIDOS

Olhe aí para trás.
Corra os olhos nos anos já passados.
Parece que pedaços vividos
se perderam, não ficaram na memória.
Coisas pequenas,
o dia a dia se misturam a momentos
e fatos marcantes.
E no entanto tudo faz parte de tudo.

Quando se vive um período de tempo,
absorto ou cativo de lances emocionais,
não damos conta do que realmente vivemos.
Só quando tudo é passado há muitos anos,
é que tentamos recompor o já vivido.

Aí, olhamos como transitamos,
sem nos dar conta daqueles pedacinhos,
no  que vivíamos.
Impossível saber o que dissemos,
fizemos ou pensamos.
Impossível sentir o que sofremos,
o que nos alegrou.
As expectativas, os planos e as esperanças
ficaram lá no passado,
junto com as frustrações, os limites e os sofreres.

De longe a gente se pergunta:
Que será  que eu fazia?
Por que e por quem  eu sofria?
De quem era a minha alegria?
E sempre isso se repete,
para cada fase da vida que nos dispomos a lembrar,
vemos perguntas que ficam sem resposta,
e ficamos suspensos no ar.

 Com isso concluo que não vemos
o momento que vivemos.
É como se estivéssemos numa roda gigante
que gira gira gira, e não déssemos conta
do que rodava junto com a gente.

Sabe Deus se prestamos atenção
no que agora está nos acontecendo.
A gente tecendo,
o vento soprando, desfazendo
e o tempo deixando imensos hiatos.
Buracos na vivência
que não sabemos recompor.

Tudo é assim mesmo.
De tudo muito pouco
guardamos na memória,
independente da importância
e do seu  significado.
Vida é coisa complicada!
É passagem inexplicável
A qual nem na memória sabemos
voltar e reviver em detalhes.

Vida! Misterioso mosaico
que um dia nos deram para compor.
Cada qual o seu, sem saber
bem  o porquê.

by Didi Leite

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POEMAS - PEDAÇOS DE MIM - MARTHA MEDEIROS


PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros

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PENSAMENTOS - TRÊS SORRISOS


TRÊS SORRISOS NUM INSTANTE:

A vida me ensinou a sorrir para as pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam…
                                                           Charles Chaplin


A sorrir eu pretendo levar a vida...
                                          Cartola


Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

                                                   Gabriel Garcia Marquez


by Didi Leite

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PÁGINAS SOLTAS - BOM DIA



by Didi Leite

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PÁGINAS SOLTAS - BOM DIA DE ENERGIA


by Didi Leite
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terça-feira, 27 de outubro de 2015

PENSAMENTOS - A PAZ


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CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 5o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                            5o. Capítulo
                      
                                            ... continuação

Foi um sacerdote, padre Ildefonso, pároco da igrejinha de N.Senhora de Conceição da cidade, que lá chegou e conseguiu conversar e criar uma boa camaradagem com eles.  O Prefeito, Salviano mandou que se instalassem uma televisão e uma antena para uso  comunitário. Também fez a entrega de uma grande caixa de primeiros socorros, e introduziu a vacinação das crianças. Mandou que  três vezes por semana uma professora fosse à ilha alfabetizar as crianças, ensinando a ler, contar, e fazer as quatro operações.
A princípio ninguém saía da ilha. Mas um dia, contam que uma moça,  Janaína, quis ir embora da ilha para viver em outro lugar. Esse desejo deveu-se a um caminhoneiro que Janaína conheceu na cidade. Esse homem encheu a cabeça da moça e encantou-lhe o coração. A mãe da moça não aceitava a partida da filha.  Dona Ana ficou triste, pois era viúva e vivia para a filha. Um dia Janaína foi ao continente e nunca mais voltou. Ganhou o mundo junto com o caminhoneiro. Dizem que a mãe ficou de idéias moles, meio que doida e foi cuidada pelos moradores da ilha. Às vezes, vinham notícias que Janaína fora vista bem vestida e rica morando em outra cidade, outras vezes as notícias eram justamente ao contrário, que a moça caíra na vida e vagava por cabarés e bordéis à noite. Ninguém sabia ao certo de nada. Dela nunca mais se soube. Por isso, as mães das mocinhas não gostavam que elas fossem ao continente. Quando iam junto para a venda do pescado, não podiam ficar de conversa com estranhos. Os pecadores ficavam de vigia e terminada a venda logo voltavam aos barcos com as jovens. Assim fazia Cauê com Jani. Mas houve quem se foi e, voltou como filho pródigo. Foi Cristovão. Este quando rapaz juntou suas economias de muitas pescas e foi embora da ilha. Deixou a mãe dona Estrela só com o pai, Cícero. O casal ficou amargurado sem saber do filho, o pai adoeceu e tempos depois morreu. Dona Estrela foi amparada pelas outras famílias, já que não havia mais quem pescasse na casa. Ela fazia artesanato e vivia que era uma tristeza só. Muitos anos se passaram, e, um dia, Cristovão voltou. Veio arruinado, doente, envergonhado pelo seu fracasso. Ficou com a mãe. Todos o aceitaram sem restrições e recriminações. Mas  ele nunca entrou no mar, dizia que a rainha do mar não o perdoou. O rapaz dedicou-se a fazer artesanato e a costurar as redes rasgadas dos pescadores. Cristovão sempre fala com Sebastião, com quem  conversa  e se dá bem. Cristovão dá conselhos a Sebastião:
- Sebastião, não se vá, porque o mundo lá fora é traiçoeiro, e um dia você volta para cá como eu, um traste!
Ele sempre diz sua máxima com olhos de visionário:
- Sebastião,  irmãozinho, um dia todos vão embora daqui. Esta ilha ainda vai ficar vazia e deserta!

Donato foi conversar com Cauê sobre Jani. Quis falar ao amigo sobre seus sentimentos em ralação a irmã do amigo. Os dois estavam esticando as redes para ver se havia buracos e  estavam rasgadas. Donato aproveitou a proximidade do amigo e falou-lhe:

- Cauê, quero falar uma coisa com você, mas não quero que você tome como abuso.
- Pois fale, Donato!
- É sobre Jani.
- Já sei. Já sei que você caiu na rede dela. Você tá gostando de Jani.
- Tô. Mas ela não sabe. Nunca falei nada dessas coisas pra ela. Queria saber se é do seu gosto, se você põe obstáculo.
- Olha, Donato, eu até faço gosto. Você é um homem honesto e trabalhador, agora não sei se Jani gosta de você. Se gostar tá tudo certo, mas se não gostar não posso obrigar.
- Obrigado, Cauê! Mas não sei como falar com ela.
- Ora, homem, tá com medo? Chegue perto e fale, abra seu coração. Agora, nada de se humilhar. Tem que ser uma conversa reta e séria. Quer? Quer! Não quer?  Não quer!  Jani é moça boa, mas é chegada a um abuso. Tem que trazer na rédea curta. 

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google



POEMA - BEM-CASADOS


BEM-CASADOS

Não boto fé nas coisas de números,
resultados são sempre arranjados.
Boto olhos no voo do beija-flor
que saltita, tremula, para
e queda-se ante a flor.
Aborda suave no seio a seiva
que bebe deleitado,
ela silenciosa não espanta seu amado.

Bela imagem dos eternos  bem-casados! 

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

POEMAS - COSTURESIA -


COSTURESIA

No ritmo do dia
vou costurando minha vida,
às vezes desmancho,
outras avanço
e no final da tarde
costurei uma lindo poema..
Um prazer botar linha
na caneta e sair
costurando  palavras. 

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

POESIA - LUAR - JOÃO GUIMARÃES ROSA


LUAR


De brejo em brejo,
os sapos avisam:
--A lua surgiu!...

No alto da noite as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola,desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas...
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo 
da via-láctea?...

Desliza solta...

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá...


João Guimarães Rosa 

Ilustração Imagem Google