ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 29 de julho de 2015

POESIA - O ABSURDO RUÍDO DO SILÊNCIO


O ABSURDO RUÍDO DO SILÊNCIO

No silêncio da tarde
meu pensamento voa
até aonde os pés não alcançam

O que me segreda este som nenhum?
Repouso das ansiedades,
falta de qualquer querer
de alguma coisa ou de alguém.

O absurdo ruído do nada
além do arfar da respiração.
Descanso por um tempo da briga
entre o querer e poder.
Quanto quis e não pude!
Muito posso e já não há  nada  a querer!

Nesta letargia da mente,
na lassidão da alma
só os olhos piscam.
A indolência me leva à absorção,
alma porosa pronta a se encharcar.
Enquanto isso o pensamento brinca
um bailado sinuoso
cheio de malemolência
e  fantasias imaginadas
no ontem,
no hoje,
e talvez no amanhã.

Entre o antes e o depois acumulei saberes
que hoje me fazem não correr mais,
não desperdiçar verbos,
não molhar minhas faces,
nem saborear a lágrima salgada,
não esperar pelo que não sou
não atirar pedras na poeira da estrada,
porque  só agora sei que a carruagem já passou. 

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google







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