ARTE DAS LETRAS

sábado, 31 de maio de 2014

MINICONTO - ESPERTEZA EM DOBRO

                  ESPERTEZA EM DOBRO

Havia uma  pracinha simples, arborizada, com um chafariz no centro, mas desligado. Nada de água. Em volta bancos e mais para a direita uns brinquedos para as crianças: um escorrega,uns balanços e um labirinto de entrada e saída. Era a algazarra das crianças. Pelos quatro lados da praça corriam ruas movimentadas pelo trânsito. Comércio ficava distante, só atravessando a rua. Sueli vendia ali água de coco. Tinha sua carrocinha bem perto do centro da praça. Ao lado da carrocinha ficava  um saco de cocos. Ela vendia o coco geladinho aberto na hora ou vendia a água em garrafinhas plásticas que enchia à vista do freguês. Cobrava pelo coco geladinho cinco reais, e por cada garrafinha seis reais. Era seu trabalho e ganha-pão. Ficava ali desde manhãzinha até entardecer, quase noitinha, horário em que vinha mais gente comprar, o movimento era grande.

Certa manhã veio uma senhora, não muito idosa, sacudida e falante. Era Idaleia. Pediu um coco geladinho e ali mesmo ficou tomando sua água e conversando papo-furado com Sueli.  Terminada sua bebida, perguntou à moça:
- Quanto lhe devo, minha filha?
- São cinco reais.
Idaleia, então, estendeu para Sueli uma nota de cem reais. Àquela hora da manhã a vendedora ainda não havia feito féria suficiente para um troco grande.
- A senhora não tem nota menor? Não tenho troco aqui para cem reais.
- Não. Mas posso ficar lhe devendo este coco? Logo mais passo aqui e lhe pago.
Sueli fez cara de conformação e aceitou. Aquilo estragou seu dia, mas deixa pra lá, pensou.
Passaram alguns dias e lá veio Idalea, dessa vez mais cedo, tomar sua água de coco antes de empreender sua caminhada diária. De pronto Sueli não a reconheceu. Idaleia estava com os cabelos presos e usava óculos contra o sol. A cena foi a mesma da anterior, na hora de pagar a água de coco, outra nota de cem reais.Aí é que Sueli lembrou da dona. E cobrou dela a despesa que ela fizera e não pagara, viria depois e não veio. A mulher fez cara de espanto, fez um ar de quem havia esquecido, mas disse que  se fora assim ela podia cobrar as duas despesas daqueles cem reais, e pediu muitas desculpas pelo ocorrido. Alegou que andava com a memória péssima, que ia até ao médico ver aquilo. Sueli ficou chateada, deu um muxoxo  e disse para Idaleia:
- A essa hora da manhã não tenho ainda troco pra cem.
- Pode deixar, minha filha, hoje à tarde passo aqui sem falta para saldar minha dívida com você. Juro que venho, pode confiar.
E lá se foi Idaleia com barriga refrescada pela água geladinha e um arzinho de sorriso indecifrável.
A tarde chegou, avançou, anoiteceu, e de Idaleia, nem sinal.
Sueli estava já xingando a velha de safada:
- Mas deixa essa velha comigo, se aparecer aqui outra vez... eu pego ela.

Mais uns dias e quem encostou no carrinho de água de coco? Ela mesma, Idaleia. Agora, estava sem óculos e com a mesma cara da primeira vez em que  lá aportou. Sueli conheceu logo a mulher dos cem. Era assim que Sueli a chamava quando contou o caso para seus amigos. Sueli nem falou nos cocos que ficaram sem pagar. Entregou o coco à mulher e ficou quieta. Terminado de beber a água, Idaleia perguntou:
- Quanto custa esse coco, mesmo?
- Cinco reais, respondeu sorridente Sueli.
A mulher lhe estendeu uma nota de cem reais. Sueli pegou, para satisfação de Idaleia.
- A senhora me deve dois cocos de dias passados e mais este de agora, tudo dá quinze reais.
Sueli estendeu o troco de oitenta e cinco reais para a mulher. Ela não chiou, fez ar de quem estava lembrando, pediu desculpas, pegou os oitenta e cinco e foi saindo dando um bom dia para a moça. Agora Sueli se sentia orgulhosa da sua ideia de levar cem reais todo trocadinho, pois não caiu no golpe da velha, que ia lá tomar água de coco de graça, sempre com aquela nota de cem. Por sua vez Idaleia saiu caminhando passo a passo, com a barriga fresquinha pela água e por ter ganho oitenta e cinco reais numa boa. Aquela nota de cem reais era tão verdadeira quanto uma nota de três reais. Agora era partir para pegar outro bocó.


                                        FIM 

    
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

INDAGAÇÕES - Sobre Tatuagem





A tatuagem é uma forma de pintura sob a pele humana muito antiga. Há registros arqueológico que há 4000ac os homens já tatuvam o corpo.
A motivação para os cultuadores dessa arte é ser uma obra de arte viva, e temporal tanto quanto a vida.

Mas, hoje em dia, por que as pessoas, homens, mulheres, jovens ou não fazem tatuagem em seus corpos?

Você faria uma tatuagem no seu corpo? 


by Didileite
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POESIA - ALGODÃO DOCE NO CÉU


                  ALGODÃO DOCE NO CÉU
Em bloco elas chegam,
se espalham, cobrem os céus
e encobrem o sol.
Esgarçam-se,  esfumaçam,
umas se vão, caminhando ao sabor
dos ventos, das correntes  aéreas.
Rápidas ou lentas,
brancas como flocos de algodão.
Cinzas, anunciando temporal,
raio e trovão.

As nuvens são águas
que querem imitar os pássaros!
Porque como chuva só têm um movimento,
precipitam-se na vertical.
Se voar é com eles,
deslizar nas altitudes é com elas.

São belas e suaves.
Tantas telas inspiraram!
Lembram algodão doce
do tempo de criança.

Às vezes temos nuvens no coração,
Ou nuvens na alma...
Elas fazem sombra aos sonhos
e não deixam espaço para a visão.
Encobrem males enraizados,
camuflando o real dolorido.
Fecham os caminhos para um outro viver,
não deixando a esperança de um amanhã,
um futuro com projetos de vida,
mesmo que seja esperança vã.
É esperar que brisas as levem,
desanuviando para abrir
caminhos da alma,
do coração.

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

MÚSICA SEM FRONTEIRA - Canção do Mar - Dulce Pontes (legendado)




Silêncio! Vai se cantar o fado!

                                      Canção do Mar


Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo

Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração

Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração

Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo



Autores: Letra Anamar (Ana Maria Alfacinha) e música de Ferrer Trindade
Este fado teve duas versões para a letra a primeira Solidão e a segunda Canção do Mar.
Este fado é uma das músicas mais internacionalmente conhecida de Portugal, tendo sido gravada por vários outros cantores em outros idiomas. Há destaque  para a gravação de Amália Rodrigues, a maior fadista portuguesa, e para a gravação da cantora e atriz portuguesa Dulce Pontes.  Dulce imprimiu à música uma sonoridade árabe, influencia moura da península Ibérica. Dulce também procurou dar uma roupagem moderna ao fado. Vale ouvir e conferir toda a beleza da música, que a meu ver se sobressai à letra.

by Didileite
Fonte YOUTUBE

quarta-feira, 28 de maio de 2014

MINICONTO - Quanta Delicadeza!


  QUANTA DELICADEZA!

- Mãe, telefone.
- Quem é?
- Não sei, não atendi.
- Poxa! Cláudia, atende aí o telefone, pode ser que seja pra você mesma! Estou com as mãos na massa das empadas. Vê aí, garota!
Claudia atendeu o telefone de má vontade e viu que era engano. Gritou pra mãe:
- Não é ninguém! Era engano!
A mãe ficou com as mãos nas empadas e Cláudia se esparramou no sofá com o celular, jogando um game. O telefone torna a tocar. Cláudia deixa tocar por uns segundos.  A mãe, lá da cozinha, grita:
- Claudia!
A garota levanta xingando e atende o telefone. Era a mesma pessoa. Engano. Desta vez ela grita pra mãe: - Engano!
A cena se repete mais quatro vezes. Cláudia se levanta jurando que vai dizer um palavrão pra aquele cara.
- Alô! Diz berrando e, antes que do outro lado da linha alguém pudesse falar qualquer coisa, a moça disparou:
- Olhe aqui, seu filho de uma égua, já disse que aqui não tem ninguém com esse nome de Ludmila!  Se você, seu idiota, não entendeu eu repito! Agora pare de encher o saco! Se ligar mais pra cá vou te bater com o telefone na cara, imbecil!  Estamos entendidos?!  Bestalhão! Seu cagão!
Do outro lado da linha, a pessoa muito admirada falou:
- Que isso, meu Deus do céu?! Claudia sou eu, o padre da paróquia. Só estou ligando para avisar que a missa de ação de graças pelo seu aniversário será às dezoito horas como sua mãe pediu. Eu fiz uma arrumação nos horários das missas para sair como ela quer.  

                                            FIM

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Direitos Autorais na FBNRJ
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POESIA - Dos Trigais



  DOS TRIGAIS
Nos campos de trigais
Espantalho balança docemente
levado pelo vento.

Pássaros tentam assaz  pousar
para pegar seu alimento.
Os bichinhos intrigados temem o boneco
que os olha arregalado.

Assustados cobiçam os grãos dourados
daquelas hastes que dançam ao sabor do vento,
tal qual cabeleiras douradas de sereias encantadas
que  hipnotizam  navegantes.
Os grãos banhados de sol reluzem  penteando
o campo num bailado aéreo
de vai e vem cadenciado.

Pobres pássaros famintos
espantados por medo imaginário
da  figura arregalada que tudo olha e nada vê.
Na verdade toma conta de nada.

Trigais voam livres nos campos dourados.


by Didileite
Direitos Autorais na FBNRJ
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INDAGAÇÕES - Sentimentos vs Copa




Quanto a proximidade do início do Brasil na copa mexe com nosso humor, nossos sentimentos e nossa vida? 

Será que somos patriotas? Será que isso toca nosso ufanismo?
Ou será que consideramos só mais um evento, como o carnaval?

Você acha que tantos desmandos e gastos com a organização empanam nossa torcida?

by Didileite
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terça-feira, 27 de maio de 2014

MINICONTO - A Solidariedade


                         A   SOLIDARIEDADE

- Você é solidário?
- Não sei, acho que sou, sou sim.
- Então, me empresta cinco mil.
- Ah, mas espera aí, isso não é ser solidário. Se lhe empresto esse dinheiro
sou burro, não solidário.
- Por quê?
- Veja  bem, você está desempregado há mais de dois anos. Não vejo você fazer nada, nem um bico, um trabalho qualquer, como capinar um terreno para ganhar um troco. Sua mulher e sua mãe são quem seguram o rojão. Agora, pergunto:  como e quando você vai me pagar esses cinco mil?

- De que bico você está falando? Onde tem bico pra se fazer? E terreno? Onde há mais terreno pra capinar, se as construtoras pegaram todos!  Elas seguram o rojão porque sabem que não sou vagabundo, estou é desempregado com a "nica" nas costas e não consigo vaga em lugar algum.  Mas você não sabe da missa um terço, eu...
- Sem essa! Me diz aí, pra que você quer cinco mil? Logo cinco mil que é dinheiro pra chuchu.  Tem gente que nem tem isso como salário.

- Preciso fazer umas compras. Comprar umas comidas lá pra casa...
- Cinco mil de supermercado? Pô!  Isso é comida pra mais de mês!
- Como eu ia dizendo, e comprar um terno, uma camisa e um par de sapatos.
-   Que é? Vai se casar ou vai ser enterrado? Porque pobre quando arruma uma fatiota assim ou é para casar ou morreu e tem que se vestir o defunto.

- Poxa! Cara, como você gosta de humilhar! Já estou arrependido de lhe pedir esse dinheiro. Mas vou lhe dizer uma coisa, não devia, mas vou dizer.
Passei no concurso do Banco Central e começo a trabalhar daqui a dez dias.
Fique você sabendo, que enquanto esses dois anos passavam e as duas  mulheres da minha vida aguentavam o rojão, e você bebia cerveja e torcia pelo Mengão em frente à televisão, eu estava com a cara enfiada nos livros estudando de montão. Não fiz bico, não capinei, eu estudei, prestei os exames do concurso, passei, fui chamado e fiquei lotado no Rio, porque tirei o primeiro lugar nas provas. Certo?

- Poxa! Cara, que maravilha! Desculpe o mal jeito. Pra quando você quer esse dinheiro?
- Queria, queria! Agora não quero mais, não. Muito obrigado. Mas se algum dia você precisar de algum, pode me procurar que eu ajudo a achar um terreno pra você capinar.
- Cara, cara, vem cá, que isso?! Pô, se zangou à toa! Bobagem de uma merreca de  cinco mil!. Aí, vê se pode?! Foi embora e me deixou falando sozinho!


                                               FIM    


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RESPOSTAS - Você Leu, Você Viu, Você Ouviu, Você Lembra?




1- O Cancioneiro da Inconfidência é de autoria da poeta Cecília Meireles.

2- 1979 Oscar de atriz Coadjuvante em KRAMER vs KRAMER
    1982 Oscar melhor atriz em A ESCOLHA DE SOFIA
    2012 Oscar melhor atriz em A DAMA DE FERRO

3- O distúrbio do TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO - TOC -

4- O escritor Guimarães Rosa. Romance GRANDE SERTÕES VEREDAS.

5- "O sertanejo é, antes de tudo, um forte".

6- Por seres tão inventivo
     e pareceres contínuo
     Tempo, tempo, tempo
     És um dos deuses mais lindo
     tempo, tempo, tempo 

7- José Lins do Rego

8- A Rede 
     Enquanto Você Dormia

9- O menino morre no forno de gás num campo de concentração nazista, na segunda guerra mundial.

10- Tecendo a Manhã.


by Didileite
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segunda-feira, 26 de maio de 2014

POESIA - De Amizade




De Amizades


Temos amizade.
Tens?
- Sim!  Desde que livre
de conversas costumeiras.
Muito de perto frequente
a amizade desfalece,
vira sentimento dormente.

by Didileite
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ESPAÇO MPB - Flor de Lis - Djavan.




Flor de Lis
Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
Autoria e Gravação Djavan
Fonte: Youtube

CONTOS QUE TE CONTO - A Ciranda dos Presentes



A Ciranda dos Presentes
                                  
                                            Final

                                                                                   ... continuação

- Que absurdo, hem dona Guiomar?!  Presente do Saara?! Disse Helenice.
- Pelo menos era presente novo, disse Vera.
- E você, Helenice, tratou de repassar o presente! E Você ,Vera, me achou com cara de xepeira! Presente do Saara, com defeito e repassado!  Disse.
toda indignada, Amanda.  Eu, pelo menos, quando repasso um presente,  ele está em perfeito estado.  Caras de pau!
- Ah! Então, você confessa que repassa presentes! Disse Helenice já elevando a voz.  A coisa estava crescendo, e todos os convidados, agora, assistiam de camarote aquele rolo. As três pareciam gansas grasnando.
Os maridos tiveram que intervir na cena, pois o bate boca era geral. Agora começara uma discussão sobre as origens de tantos presentinhos para cá, presentinhos para lá. Nesta altura do campeonato, Jair achou melhor pegar Amanda e sair rapidinho daquela casa. Quando viu que o casal ia saindo, Helenice mandou que Amanda levasse seu elefantinho, ao que ela respondeu:
- Eu não quero esta porcaria, dê à sua amiga Vera, foi dela que recebi.
Vera foi logo dizendo que não queria aquele lixo, aquilo dava era azar e não, sorte, como diziam. Vera disse:
- Helenice, fique você com seu elefantinho, afinal não era seu desde o
início? Repasse para uma outra otária.  Vocês são duas cretinas!
O marido de Vera pegou-a pelo braço e dizendo : - ¨simbora, simbora ¨ isso aqui já deu. Chega!  Foram indo para a porta de saída.
Já na rua as duas mulheres, Vera e Amanda,  se viram de longe e mediram-se de alto a baixo. Jair, mais que depressa, fez sinal para um táxi, enfiou Amanda dentro e mandou o motorista partir para  casa.  O marido fez esboço de fazer um comentário, mas Amanda estava tiririca e não permitiu uma palavra, mas na sua cabeça martelavam duas coisas: como havia errado ao guardar o elefantinho na prateleira das amigas da igreja?  E  a previsão que sua mãe fizera  anos atrás:
¨  Um dia, você ainda vai passar uma vergonha com esta sua atitude. Pode esperar! Um dia você ainda acaba se estrepando com essa mania feia de repassar presentes.¨
A mãe estava certa, essa história de  repassar presente... Aquilo era uma verdadeira ciranda, perigosa e de muito mau gosto.

                                          FIM



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domingo, 25 de maio de 2014

POESIA - Flor no Vaso





FLOR NO VASO

Por que desta planta não nasce flor?
Rego, ponho ao sol e ao sereno este vaso.
Ela me responde com absoluto silêncio de cor.
Planta Ingrata!
Tão florida no chão,
neste vaso completa solidão!

by Didileite
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VOCÊ LEU, VOCÊ VIU, VOCÊ OUVIU, VOCÊ LEMBRA?



Veja como anda sua memória nesta sessão: 

1- De quem é a autoria da coletânea de poesias Romanceiro da Inconfidência?

2- A atriz Meryl Streep ganhou três vezes o OSCAR. Quais foram esses filmes?

3- Jack Nicholson tinha um distúrbio psíquico no filme Melhor é Impossível. Qual era?

4- Quem criou os personagens Riobaldo e Diadorim, e qual o nome desse romance?

5 - Em Os Sertões, Euclides da Cunha deixou registrado uma frase antológica, complete:
         "O sertanejo é, antes de tudo, ................................

6- Quais são os três versos seguintes da música Oração ao Tempo de Caetano Veloso:
          "Por seres tão inventivo
            E pareceres contínuo
            .....................................
            .....................................
            ..................................... 

7- Quem escreveu o romance MENINO DE ENGENHO?

8- Em qual desses filmes a atriz SANDRA BULLOCK atuou?
  a) As Pontes de Madison
  b) A Rede
  c) Enquanto você Dormia

9- Qual é o inusitado fim do livro O Menino do Pijama Listrado?

10-Qual dessas poesias é de autoria de João Cabral de Melo Neto?
  a) E agora José
  b) Tecendo a manhã
  c) Vou-me embora pra Pasárgada

RESPOSTAS NA POSTAGEM DA PRÓXIMA 3a. feira, neste BLOG. CONFIRA.

by Didileite
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sábado, 24 de maio de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - A Ciranda dos Presentes



A Ciranda dos Presentes
                                             5aParte

                                                                    ...continuação


- Eu não sei do que vocês estão falando, disse Vera nervosa.
- Ah! Sabe sim! Este elefante eu dei de presente a você, conheço ele porque está com a patinha traseira quebrada. Como se explica que ele foi parar nas mãos da Amanda e agora retorna como presente para mim?  Helenice tinha gênio brabo e nenhuma educação quando cheia de raiva.
Aí,  Vera é que se postou de ofendida virando-se para Amanda falou:
- Como você repassa o presente que lhe dei com maior carinho e até com o coração doendo por me desfazer de tal peça de que eu gostava tanto! Hem, Amanda?
- Gostava tanto?!  Se gostasse mesmo não me dava em presente. Que coisa mais feia, Vera!  Ridícula!
Helenice olhava as duas cheia de raiva, mas Amanda que não perdia tempo, virou-se para Helenice e despejou:
- E você? Cheia das razões, mas não se envergonha, também, de dar de presente algo usado e até lascado, quebrado? Pensa que a casa da gente é
lata de lixo?  Palhaça!
Os maridos se olharam com cara de que estavam pensando a mesma coisa sobre aquela briga:
- Melhor não nos metermos, isso é briga de cachorro grande, se a gente se mete ainda sobra para um de nós.
Neste momento, uma senhora já bem avançada em anos, que usava um batom vermelho que a fazia parecer um pássaro ¨biquinho de lacre¨, levantou-se da poltrona e entrou entre as três e disse:
- Um momento! Querem saber de uma coisa? Este elefante não é de jade nem da Índia! Ele é ali do Saara.
As três espantadas falaram ao mesmo tempo: - Saara?!

-Sim, senhoras!  Quem comprou esta peça fui eu, numa lojinha de coreanos, bem ali na rua da Alfândega com rua da Conceição. A moça falava mal o português, mas explicou que ele era da cor do jade e era como os elefantes da Índia. Aí, eu para valorizá-lo só mudei um pouquinho a história, dei o presente para você, Helenice, quando você deu aquela festinha para comemorar  Bodas de Marfim, seus 14 anos de casamento. Dei, dizendo que era uma peça comprada no Oriente,  de jade da Índia. Logo notei a patinha lascada, e assim, a moça me fez um abatimento no preço. Não fugi muito da verdadeira história, pois a lojinha é de coreano, Coréia fica no Oriente?  Era verde da cor de jade e era semelhante aos elefantes da Índia, logo...

- Que absurdo, hem dona Guiomar?!  Presente do Saara?! Disse Helenice.

                                                           continua...
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POESIA - NOVAS ALDRAVIAS


Novas Aldravias me batem à porta.




Silêncio:

Silêncio
nos
diz
esperar
é
paciência





Flores:

Da 
saia
saltam
flores
primavera
pregueada




Cores:

Borboletas
nas
janelas
fazem
salas
azuladas

                                                                       by Didileite
                                                                       Ilustração Imagem Google

POESIA - Hoje é Dia de Maria



HOJE   É   DIA   DE  MARIA

Hoje é dia de Maria!
A virgem da Galileia.
Que obediente guardava
Os preceitos judaicos.

A escolhida por Deus
Para ser mãe do filho Dele.

Ela mesma, a quem Jesus
Do alto da Cruz nos deu por mãe,
Quando falou a João:
-  Eis aí tua mãe!

Então se você não acredita nela,
Professa a fé que crer,
Ateu seja sua posição,
Agnóstico, quem sabe?
Se um dia sua angústia chegar
Num extremo derradeiro,
Tal qual dilema, sem saída se encontrar,
Não hesite, lembre de Maria.
Não faça cerimônia,
Não tenha vergonha,
Recorra a ela, fale seu nome,
Mesmo baixinho,  Maria!
Mesmo que vacilante,
E até timidamente,
Chame por Maria.


Ela é nossa mãe invariavelmente,
Mãe incondicionalmente.
Peça a Nossa  Senhora,
Que não faz milagre, isso é lá com Deus,
Mas ela passa na frente,
E como intercessora maior e primeira,
Vai com Deus falar.

Peça a Maria, ela vai te ouvir,
Ela vai correr junto a Jesus  e
Como predileta de Deus,
Pedirá por você.
Pode apostar.

Meu coração tem mania de Jesus,
E amor declarado por Maria!
Afinal sua filha sou,
E a todos assumiu como filhos,
É  mãe, acredite em Maria!

Todo dia é dia de Maria!

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - A Ciranda dos Presentes


A Ciranda dos Presentes

                                          4a. Parte 
                                                                              ...continuação



No dia da festinha, lá foram ela,  o marido e o embrulho do presentinho. A sala estava bastante concorrida, várias pessoas espalhadas   pelo ¨living¨ e pela enorme varanda que tomava toda a extensão da frente
do apartamento. Logo que chegaram, uma amiga do clube, Vera, veio ao encontro de Amanda e cumprimentou-a achando interessante a coincidência de serem amigas de Helenice. Amanda disse que a dona da casa era sua amiga desde os tempos de colégio, Vera disse que conhecia Helenice porque se conheceram numa viagem ao sul, na  festa da uva em Caxias do Sul, daí ficaram amigas, depois, encontrou  Helenice no Clube, a amizade se firmou, mas logo ela, Helenice, tinha saído do Clube. A dona da casa veio recebê-las, com alegria, quando Amanda lhe entregou o presente com uma singela e rotineira frase:
- Isto é só uma lembrança.  É para marcar esta data e também lhe dar sorte na nova casa. Abra e veja que delicadeza! 
Helenice abriu o embrulho, abriu a caixinha e exibiu o elefantinho de jade. Houve um certo silêncio, um certo constrangimento seguido de um espanto e indignação. As três mulheres e seus maridos se olharam. Ficou um ar pesado, quebrado por Helenice, que após virar o elefantinho e olhar sua patinha direita traseira, faltando um tiquinho de jade falou:
- Eu conheço este elefantinho!  Disse isso com ar de ofendida.
A amiga Vera, sentiu um desconforto, Amanda e o marido sentiram que alguma coisa estava dando errado.
 - Você já tinha visto um elefantinho assim de jade? Comprei numa importadora e a vendedora me garantiu que veio da Índia. Disse Amanda, dando a impressão de maior tranqüilidade.

- Índia né? Ele veio mesmo da Índia. Eu o comprei quando fui ao Oriente! Não é Vera?

                                                      continua...

POESIA - Por Uma Noite



POR UMA NOITE

Ponho minha cama na varanda.
Busco o  sono no jardim,
ouço o som da noite,
grilo saltitante,
sinto o aroma da lua.
Flores adormecidas silentes!
Por uma noite apenas
dormir o sono dos inocentes!


Direitos Autorais registro FBNRJ
Ilustração Imagem Google


PENSAMENTO - OS INSITENTES




Difícil é conviver com os insistentes, que sabem não serem bem-vindos, mas impõem suas palavras e presença.

by Didileite

quarta-feira, 21 de maio de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - A Ciranda dos Presentes



A Ciranda dos Presentes 
                                        3a.Parte

                                        ...continuação


Passadas algumas semanas, numa  quinta-feira, dia de faxina na casa. Adelaide, a faxineira chegou cedo,  e logo Amanda falou para ela: - Adelaide, hoje, você me faça uma limpeza nos armários de roupas. Tire tudo  nos cabides e ponha para tomar ar. Passe uma flanela com álcool por dentro do armário, veja se tem algum inseto, limpe bem para não deixar nenhuma poeira. O Jair disse  que encontrou uma traça na manga do paletó. Depois, coloque as roupas no lugar, dê uma olhadinha nas roupas e veja se há traças. Eu vou para a academia de ginástica. O almoço já está pronto, fale com a Neuza para por no micro-ondas, e depois vocês almocem. Da  ginástica vou almoçar com minha mãe, volto  à tarde.
- Sim senhora, então vou começar pelos armários, depois pego o resto da casa. Assim as roupas pegam bastante ar.

Adelaide esvaziou os armários, limpou e pendurou os cabides com as roupas  no varal da área de serviço. A moça abriu a última porta do armário e viu aquele monte de caixas e caixinhas em todas as prateleiras. Pensou: - vou esvaziar isso aqui e passar um pano também. Tirou todas as caixas das prateleiras e foi colocando no chão. Limpou bem limpinho, passou álcool e depois pegou as caixas e foi recolocando nas prateleiras. Só que Adelaide não sabia que aquilo estava separado por origem, ou seja, presentes das amigas da escola numa prateleira, presentes das amigas do clube em outra, e assim por diante. Somente Amanda sabia de quem era o quê ali. Um grave erro que Amanda cometeu foi não ter marcado em cada presente quem deu e de onde era  a tal pessoa. Ela confiava na sua memória e achava que só separado por prateleiras,  estavam identificados os presentes.

Adelaide acabou seu serviço, a casa estava um brinco, tudo brilhando e perfumado, quando a patroa chegou, já passavam das quatro horas. A faxineira foi logo dizendo que não encontrou inseto algum dentro dos armários, nem nas roupas. Amanda ficou mais sossegada com isso. Pagou a diária de Adelaide e ela foi embora. Nos dias que se seguiram a mulher não mexeu nos presentes, não havia nenhuma festa para ir. Até que recebeu um convite de uma amiga do Colégio para uma pequena reunião para comemorar seus dezoito anos de casamento. Nada de especial, apenas
um motivo para uma festinha e, também, para exibir seu novo apartamento e nova mobília de sala. Esta era Helenice, mulher bem casada, vida abastada, várias viagens pela Europa e até para o Oriente. Amanda aceitou o convite e pensou no que daria de presente para tão insignificante comemoração. Foi no armário, olhou  e achou alguma coisa estranha, mas não atinou o que era que estava diferente. Pensou no presente e lembrou do elefantinho de jade. Ótimo! Casa nova um  elefantinho verde para dar sorte! Depois, segundo a amiga que lhe dera tal peça, - já não lembrava quem havia lhe dado -   aquilo veio da Índia! Não era uma coisa qualquer, então, levaria o elefantinho para Helenice. Esta  caixinha estava na prateleira das amigas da igreja, - isso depois da arrumação que Adelaide fez -  antes, estava na prateleira das amigas do clube. Não se deu conta disso, bastava não estar na prateleira das amigas do tempo do colégio. Amanda pensava: - Só não posso é dar um presente à Helenice, que tenha recebido de uma amiga do colégio, do Clube ou da Academia de Ginástica, algumas se conhecem.  Mas se é presente das amigas lá da igreja, então,não há erro.

                                                         continua...
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