ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ESPAÇO PARA MPB



              MEU PAÍS

Aqui é o meu país
Dos sonhos sem cabimento
Aqui sou um passarim
Que as penas estão por dentro
Por isso aprendi a cantar, cantar
Voar, voar, voar

Me diz, me diz
Como ser feliz em outro lugar

                                                  Autor  IVAN LINS
                                                  Ilustração IMAGEM GOOGLE 


            QUANTO PODER ME CABE

Com sete notas faço uma sinfonia.
Com algumas palavras faço uma poesia.
Com um pouco de açúcar faço um doce.
Com um pouco de amor faço um romance.

Posso sonhar o que quiser soltando
A imaginação e ouvindo a alma,
Se tiver tempo posso prever o amanhã,
Posso fazer o dia ser ensolarado,
Claro e até um mar de ressaca.

Se  quiser esperar um pouco mais,
Posso jantar cedo e dormir tarde.
Se durmo, se tiver sorte, posso encontrar
Com pessoas novas, desconhecidas,
Conversar com pessoas inteligentes
Que me tragam notícias de lá,

Se me der vontade posso usar um vestido
Azul lilás com brilho de neon,
Se souber escolher  não acordo cedo,
E meu sonho vai pairando por lugares
Nunca antes por mim estado.

Posso sonhar com neve, com frio,
Enquanto o suor embebe meu travesseiro,
No real que estou vivendo sem estar sabendo,

Sonhar e viver. Viver para sonhar
E sonhando vou vivendo, embora
Sem pretensão de sonhar,
Pois não estou sabendo.


Tenho ousadias, desejos, coragem e ilusão,
Já me vejo na realidade total do que sonho,
Só tenho que cuidar para não tropeçar
E acordar de cara no chão!


                                                                Direitos Autorais FBNRJ
                                                                Ilustração Imagem GOOGLE 

                                                    





































PENSAMENTO:



Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

NOVELA

                   A FAMÍLIA

                                                 (Parte 6 )

                                                                       ... continuação




Margarida Maria vivia cercando o noivo.  Certo dia, foi de surpresa ao hospital onde Sergio trabalhava.  O rapaz não gostou da surpresa, fez Margarida entender isso. Ali era seu local de trabalho e não tinha tempo para visitas. Dona Leonor concordou com o futuro genro.  Aliás, dona Leonor cobria o jovem médico de mimos e rapapés.  Fazia-lhe agrados, doces, pudins, elogiava-o abertamente, zangava com a filha para dar sempre razão aberta ao rapaz.  Era uma coisa de chamar atenção.  Sérgio ficava sem graça, e achava mesmo todo aquele exagero de delicadezas um pouco de bajulação. Outro dia, Margarida Maria ,com a desculpa de que estava com dor no ombro direito, apareceu no consultório de Sérgio.  Ele a atendeu, viu que não era nada de grave, passou um remédio e mandou-a para casa sem maiores agrados.

Ultimamente, Sérgio andava mais calado e um pouco arredio a toda aquela festa que dona Leonor lhe fazia.  Um domingo, em que fora noivar, disse a Margarida que fora convidado por um professor dos tempos de faculdade  para uma bolsa de estudo no exterior, onde ele poderia fazer um doutorado.  A moça se mostrou alegre com a notícia, já pensando morar no exterior após o casamento.  Mas Sérgio explicou que o convite era para daí a quatro meses, no início do semestre.  Em quatro meses não dava para casarem, e, também, não  poderia levá-la para o exterior, se ele nem sabia como e onde iria morar.   Ele estava considerando aceitar a bolsa, e, depois,  quando voltasse casarem-se.  A bolsa era por dois anos. Margarida assustou-se, ficou séria e não concordou com aquilo. Começaram a discutir, dona Leonor interveio e acabou o noivado naquele domingo.  A paz de Margarida Maria acabara. Durante toda aquela semana não se falaram.  Só no outro domingo, Sérgio voltou à casa da noiva.  Evitou tocar no assunto. Margarida Maria se fez de rogada e ficou séria todo o tempo, tratando o  noivo com  frieza.  Pensava a moça:  - Se ele acha que vou ceder, está  enganado. Esperar dois anos para me casar, e ainda,  com ele distante em  outro país. Não vou!  Sérgio sentiu o clima pesado. Dona Leonor ainda lhe fez um cafezinho que serviu com amanteigados.  O velho Joaquim não era de conversa mesmo.  O rapaz  resolveu  ir-se mais cedo com a desculpa de uma cirurgia bem cedo no dia seguinte. Margarida Maria aceitou a desculpa e o noivo se foi. Nas semanas que se seguiram foi a mesma coisa sempre. Dona Leonor ainda jogava suas últimas iscas para o noivo da filha. Aconselhava Margarida Maria a ser menos intransigente, ou acabaria por perder o noivo. A moça não cedia, dizendo que se ele a amasse mesmo, casariam e iriam juntos para o exterior. A situação estava insustentável, Sérgio ficava amuado ao lado da noiva, dona Leonor falava o tempo todo, tentando quebrar aquele silêncio da sala.   Faltavam dois meses para chegar o início do semestre.

Certo domingo, Sérgio chegou mais cedo  do que de  costume à casa da noiva.  Procurou pelo pai , o velho Joaquim, dizendo que queria conversar com ele.  Saíram da casa e foram para o quintal. Lá ficaram por longo tempo. Da janela, Leonor os via conversando.  Joaquim parecia calmo, sinal de que não era nada grave.  Margarida estava curiosa e apreensiva com tudo aquilo.  Não quis vê-los pela janela.  Passado bom tempo, os dois voltaram para dentro da casa.    O pai tomou a frente do médico  e falou para mãe e filha :  - Bem, o Sérgio vai fazer seus estudos nos exterior, assim ele resolveu.  Ele quer romper o noivado, pois vocês dois não estão mais de acordo em nada. Veio me falar, por respeito, com argumentos sérios. Eu não posso impedir isso.  Não mando nele, e um casamento que começa mal  não pode dar certo. Margarida  Maria ficou morta.  Morta de raiva. Ficou tão furiosa que arrancou a aliança de noivado do dedo e atirou-a  na cara do rapaz, que desviou o rosto de pronto. E  ela  gritando: - Maldito noivado!  Maldito doutorado!  Maldito professor!  Suma, suma, suma de uma vez!  Vá para seu curso!   Vá para o inferno!
Agora, eu é que não quero me casar com você!     Saia daqui!  
Como uma bala saiu  da sala e foi para o quarto, batendo a porta com tanta estupidez,  que até as taças de cristal estremeceram dentro da cristaleira.

O rapaz já  ia longe,  aliviado.  Que peso havia tirado das suas  costas!   Agora, rumo ao que mais queria:   seu doutorado.
             
Na sala , abaixada ao chão,  tateando daqui e dali, estava  Leonor.  O marido Joaquim perguntou-lhe o que fazia assim arriada.  Leonor respondeu:  - Procuro a aliança. Se Margarida não a quer e o noivo,  muito menos, quero-a  eu, pois 18 quilates valem dinheiro, e dinheiro vale ouro... você me entende, não é, meu marido?  Leonor  não era de desprezar tostões, que dirá ouro no chão, pensou seu marido.

Margarida Maria era prática, não ficou chorosa, nem se lamentou uma vez.   Foi considerar quanto tinha de enxoval,  para ver o
que poderia  passar adiante, vendendo ou ou dando como presente a alguém que fosse casar  ou,  mesmo, fizesse aniversário ou bodas de prata.   Dona Leonor ficou espantada com a frieza da filha, mas, ao mesmo tempo, descansada.   Não havia a sombra de Cássia Regina  em Margarida Maria.

Ivone e José Roberto tiveram uma linda menina, Clarice,assim a chamaram.  Dona Leonor ficou toda feliz com a netinha. Agora eram dois netos, Vitor e Clarice.   Mas o casamento dos dois ia mal.  A ambição de Ivone estava dando mostras de que alguma coisa iria dar errado, mesmo com a chegada da filha.

O velho Joaquim aposentou-se.  Não andava bem. O médico cortou-lhe o sal e gorduras.  Avisou a dona Leonor que o coração de Joaquim estava ficando fraco.  Ele estava com uma pequena arritmia. Leonor ficou preocupadíssima.  Passou a olhar o marido diligentemente, nada que o importunasse era dito ou feito naquela casa.


O bom cão Castor, de tão velhinho, ficou praticamente cego.  Morreu quietamente na varanda da casa.  Todos sentiram sua falta.  Precisavam arranjar outro cão, pois cães  eram sempre  guardiões da casa.  Arranjaram um  vira-lata lindo. Veio filhote, era branco com manchas pretas, dava mostra de que ficaria de médio porte. Deram-lhe o nome de Bigode, por causa da mancha preta que lhe cobria o focinho.

                                         continua...


POESIA




              AROMA COR E SOM

Mergulho transversal na natureza,
Delicadezas nos surpreendem.
Corte profundo numa manga
Que expõe seu amarelo vivo maduro
Em contraste ao vermelho escuro
De seu invólucro outrora verde.
Simultâneo delicioso aroma tropical
Se espalha e me invade.
Logo me vem a ideia de cor e aroma,
aroma e sabor,
sabor e forma,
forma e som,
Som e movimento.

Mas do que falo?
Penso no maravilhoso trio:
Frutas, flores e pássaros.
Com suas cores, aromas e sons
Eles dão vida à nossa volta.
E a gente se vai sem olhar, aspirar e ouvir.
Distraídos, desligados ou acostumados?
Isso importa? Se não nos incomoda...





As frutas em inúmeras cores,
Formas, aromas e sabores
Enriquecem a vida.
As flores em formas,
Cores e aromas ornam os dias.
E os pássaros nas formas,
Cores, sons e movimentos
Presenteiam a quem passa indiferente.
O Criador nos deu de mão beijada,
E tudo isto deixou à nossa disposição.
E a gente distraído não se dá conta
De tanta beleza, não.
Não nos detemos naquilo que tão perto está
Que até chega a nos esbarrar.



Uma flor desconhecida não nos encanta
Por mais graça que encerre.
À janela um pássaro anônimo canta, pia sem parar.
Isso não nos prende a atenção
ele assim cantar todos os dias,
como se  tivesse a obrigação de lá estar.

Nos mercados e feiras,
E até nas nossas fruteiras
generosas frutas nos olham
e esperam que admiremos
Suas cores e gamas variadas de sabores e aromas.
Quem sabe se fazem assim
Como convite para as saborearmos?


As flores e frutas precisam que o vento
Lhes toque  num ritmo de vai e vem
Para que tenham movimento e balancem ao ar,
Às vezes atirando-as ao chão!
Mas os pássaros, estes que já têm as formas delicadas,
multicores generosas,
Cantos diferenciados entre si,
Ainda possuem o dom, a graça dos arroubos aéreos,
Que os fazem içar voos longínquos.





Que espetáculo tais criaturinhas coloridas mil
saírem voando, voando
Deixando pelos ares trinados sem igual!

O canto se equivale ao aroma.
Ambos se espalham no ar!
São fatos que não se pegam,
Não se tocam,
Não se prendem,
Impossível guardar,
Sensações que ouvimos e inalamos,
que majestosos!

Flores, flores delicadas.
Frutas, frutas a mel.
Pássaros, meus companheiros canoros
De todas as horas!


Ah!  Natureza, natureza!
Quando mostras tua beleza,
Não há palavras que te traduzam,
Que te possam completamente exaltar!






                                                        Direitos Autorais FBNRJ
                                                        Ilustração Imagem GOOGLE




PENSAMENTO:


O silêncio é uma grande e sonora resposta: experimente.
PONTO DE VISTA:




                                               CAMISETAS DA COPA


A FIFA apresentou as camisetas da Copa. Dizem que este
lançamento é de tiragem limitada, só negociada nos Estados Unidos.  Não sei.  Não acredito.
O apelo é sexual, com desenho que remete a biquini fio dental. A grita foi logo ouvida, mas ficou valendo as tais camisetas.

Um abuso. Mas quem é culpado disso? As autoridades brasileiras.

Alguém disse que o Brasil vem há anos fazendo recepção em aeroportos com mulatas semi nuas sambando ao som de uma batucada.  Isso é pobre. Apelativo.

As agências de turismo fazem a propaganda do Brasil com o Rio e suas mulheres com traseiros em fio dental expostos nas praias ao  sol.

O Brasil não é só isso. O Brasil é imenso e tem outras danças que valem ser mostradas. Há danças típicas das diversas regiões, como o carimbó, o frevo, a catira, o forro, o tambor de crioula, danças gauchas e por aí  vai.

O caso da Fifa é faturar, mas isso tem limite em respeito ao país sede.
A Fifa parece que faz um favor a um país em deixá-lo sediar a copa.
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

NOVELA

                          A FAMÍLIA

                                                         (Parte 5)

                                                                          ... continuação

Os meses passaram, dona Leonor pensava em anulação daquele casamento, mas nem ousava falar, por enquanto.  Uma manhã, antes do almoço, Cássia começou a tocar piano. Tocava de maneira bruta, até que bateu com as mãos no teclado e fechou a tampa do piano com  tanta força que Castor se assustou, levantou-se e saiu correndo da soleira da porta.
Enfim, um sopro de alegria, nasceu o filho de Dulce e José Henrique.  Lindo menino.  Iria chamar-se  Vitor.  Dona Leonor e Joaquim eram avós !   Margarida e Cássia tias e claro, José Roberto, tio.

Já havia transcorrido quase dois anos desde aquele dia. Uma noite Margarida Maria ouviu barulho na sala. Levantou-se e foi ver do que se tratava.  Encontrou Cássia Regina cortando com uma tesoura o seu vestido de noiva. Margarida quis impedir aquilo, mas já era tarde, o vestido já estava todo cortado. Cássia  Regina  caiu em prantos.   A irmã levou-a  docemente para o quarto e ficou com ela até que ela adormecesse.

Cássia estava mal, cada vez ficava mais arredia, mais calada. Passava horas no quintal, andando, andando sem rumo certo. Quase não comia.  Se almoçava, não jantava.  Comia como um  passarinho.  Os pais preocupados com ela.  A Família deixou  de ir a festas.  Todos ficaram mais em casa.  Nem o sobrinho Vitor lhe trazia à realidade, ou lhe dava alguma alegria.

Numa manhã, dona Leonor estranhou que a porta dos fundos  estivesse aberta.  Fez o café, serviu a todos.    Joaquim saiu para o trabalho. Margarida Maria foi ver a irmã no quarto, pois ela não havia se levantado.  José Roberto foi se trocar para nadar um pouco, antes de sair para o trabalho, seu primeiro emprego.  Margarida Maria voltou à sala e disse que Cássia não estava no quarto. Sua cama não estava desfeita. Dona Leonor disse que ela devia já estar perambulando pelo quintal.  Mandou José Roberto achar sua irmã e trazê-la para o café.  De repente, o rapaz entrou em casa, pálido, trêmulo, querendo falar sem poder.  A mãe e a irmã  perguntaram o que havia, o que foi que havia acontecido.  Ele arrastou as duas para fora de casa e levou-as até os fundos, na piscina. Dona Leonor soltou um grito de dor e horror.  Cássia Regina boiava  na piscina emborcada com o rosto dentro d´água.  Cássia Regina estava morta!  Afogara-se  na piscina.

A dor tomou conta daquela família, daquela casa. Dona  Leonor  ficou de luto.  E ela pensou: - Agora a casa ficou maior e minha família menor.
  O pai, Joaquim, passou a sentir dor de cabeça constante. O médico disse que sua pressão arterial estava alterada, muito alta.  Receitou  remédios, dieta e repouso. Nunca mais Joaquim se recuperou.  Só dona Leonor e Margarida Maria aguentavam aquelas dores e as preocupações com Joaquim.

Mas a vida resolveu se debruçar sobre eles, com tanta dor,  com tantas agrura !   Não havia se passado dois anos, ainda, da morte de Cássia  Regina e eis que um novo golpe descia sobre eles.  Numa viagem de negócios, José Henrique sofreu um acidente. O ônibus em que viajava, à noite, saiu da da rodovia, derrapou e despencou no barranco.  José Henrique teve morte instantânea.

  Joaquim e Leonor  sentiam que o mundo deles estava se desfazendo.  Mais um momento de luto.  Ajudariam a olhar por Vitor, embora a família de Dulce cuidasse do menino com muito carinho.

 José Roberto começou a namorar uma moça que morava em frente à sua casa.  Eram bilhetes, olhares, sorrisos daqui para lá e de lá para cá.  A moça era simples. Não era rica, mas sua família era digna. 


Dona Leonor não aprovava aquele namoro.  Mas seu Joaquim foi severo com a esposa.  Que ela não se metesse no namoro do filho.  Esse negócio de casamento por conveniência...    Dona Leonor começou a chorar, e  disse que não tinha nada contra o namoro do filho, mas que a moça era pobre, era.   José Roberto estava gostando mesmo de Ivone, moça sua vizinha.  Para o casamento foi um pulo.   Casaram-se.      Foram morar numa casinha  de aluguel, mobiliada de forma simples.  O que ninguém sabia era que Ivone tinha  ambição, ela era tão ambiciosa quanto sua sogra.  Ela  gostava de José Roberto, mas  não perdia de vista as supostas posses da família do marido.

Margarida Maria estava namorando.  Isso era uma coisa inusitada, pois a moça parecia não ter pretendente algum. O rapaz  era  médico.  Começou a frequentar a casa de Margarida, o namoro caminhava  bem.  Margarida Maria, que tantos monogramas havia bordado para enxovais alheios, agora, iria bordar para ela mesma.   M e S, era esse o monograma que bordaria nas fronhas e lençóis.  O rapaz chamava-se Sérgio. Começou a pensar em seu enxoval.  Foi surpreendida no dia do seu aniversário , quando completava vinte e seis anos, na noite do jantar, Sérgio pediu-lhe em noivado.   Parecia que uma pequena alegria voltava àquela



casa. Margarida cantava, costurava, bordava seus monogramas. Dona Leonor já pensava como seria o vestido de noiva da filha. Mas o pai não estava muito bem de saúde, embora se esforçasse em parecer que estava bem.   A casa estava começando a dar  mostras de que estava ficando velha,
precisando de alguns reparos.  Aquela piscina vazia precisava ser aterrada, desde a morte de Cássia Regina, José Roberto  nunca mais fora nadar.  Depois casara-se, e a piscina ficara para lá, abandonada.  Agora vazia parecia um imenso buraco, um abismo onde a família jogara suas dores, suas tristezas.