ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - O JOGO

2o. CONTO
                 
                                                         O JOGO  (parte 1)
                           
- Genildo, faz meu jogo da sena. Já marquei o volante, isso corre domingo.
- Cadê o dinheiro?  Vai passando duas pratas pra cá.
- Ah, você paga,  que amanhã eu lhe dou o dinheiro.
- Não! Nada disso!  Já caí nessa sua conversa. Agora é dinheiro na hora. Se não me der o dinheiro, eu não jogo droga nenhuma. 
- Mas que mão de vaca é você, hem! Tô lhe dizendo que amanhã eu pago. Tenho duas mãos para fazer unhas,  daí recebo e pago a você.  Agora, não tenho dois reais.
- Então, faço o jogo amanhã.
- Genildo, deixa de ser besta! Amanhã é sábado e você não trabalha. Acorda tarde e não vai lá embaixo na lotérica fazer jogo coisa nenhuma. Hoje é sexta,  você trabalha e a lotérica é do lado do seu trabalho. Custa você fazer esse favor ?
- Custa o mesmo que custou a você lavar e passar minha camisa azul que eu pedi, na semana passada, e você não lembrou.
- Genildo, eu lavei sua camisa, sim. O problema é que eu deixei para passar em cima da hora de você sair, e quando eu ia passar a luz acabou.  Isso não é minha culpa. Problema da companhia de eletricidade.
- Tá bom, tá bom, tá bom...  Me dá essa droga desse jogo logo.
- Meu irmão, se eu ganhar, nós vamos é melhorar de vida.
- Ah, tô sabendo, já tô até vendo isso! Mania que você tem de contar com o ovo dentro da galinha. Sabe quantos milhões de pessoas jogam nesse troço? É por essas e outras que não gasto meu dinheiro com jogo. Loteria? Tô fora! Mas,  é nunca que eu vou apostar em loto!

                                                                                        continua...

Pensamento

INVEJA e EDUCAÇÃO. Estão aí duas coisas que ninguém admite: a primeira ter e a segunda não ter.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

POESIA - COLIBRI




            COLIBRI

Bate asinhas frenético
desenhando um oito no ar!
Paradinho ante uma flor
quase não se veem
suas asinhas batendo sem parar,
apenas uma sombra em movimento.
Fica imaginando a forma mais delicada
de abordar sua musa.
Dá um salto e recua em marcha à ré
mirando e vendo a beleza da pequenina
flor que vai beijar.

Que beleza bem casada!
Você multicor em movimentos incessantes,
ela parada, silenciosa,
exibindo todo o seu garbo em qualquer tom.
Perfeição em forma e cor.
Ela esconde em seu âmago
o doce néctar que lhe ofertará.

Suavemente, você com seu longo bico
suga em doce deleite o manjar
que sua florzinha
graciosamente lhe dá.
Em troca, você carrega em seu bico
centenas de pólens que em outras flores,
num galho mais abaixo,
depositará.

Que obra magistral da natureza!
Vocês dois combinam, se doam
e nessa troca sem fim
as flores vão se espalhando e
perpetuando a espécie.
Flor em flor,
beijo em beijo,
pólen em pólen,
as floradas enchem os jardins,
os campos, as serras, e toda
a flora  agradece.

Meu delicado passarinho,
como quer ser chamado?
Colibri ou Beija-flor?
Eu o quero beija-flor
porque a mim soa declaração de amor!

Tão pequenino, o menor que há.
Não tem canto melodioso,
dobrado como um melro ou curió.
Não tem a plumagem encorpada
e deslumbrante como outras aves
que voam por todos os céus do mundo.
Mas tem a delicadeza!
A suavidade do seu pequeno corpinho
e a soberania do voo
inigualável em proeza e agilidade.
A nenhum outro pássaro foi dado
fazer as piruetas aéreas que só você faz.
Beija-flor!
Uma variedade sua se espalha
pelo ar, pelas  matas.
Quando você surge agitando asinhas,
num movimento veloz,
voando daqui pra ali,
de lá pra cá,
podemos ter certeza que há uma flor,
por aí, mesmo que escondida,
dispersa entre folhagens.
Casamento perfeito da flor e o colibri!
 

 
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POESIA - COMITIVA




                 COMITIVA

Para onde caminha esse gado,
que cabisbaixo, silencioso,
vai cortando estradas,
levantando poeira,
calcando pegadas no chão?
Gado de raça,
gado sem graça,
gado sem linhagem,
gado sem estirpe,
um gadozinho qualquer.

Gado marcado em brasa
de muitas linhas,
símbolos de donos.
Muitos donos e pouca vida.
Esse gado parece um comboio
Que não se separa
Até que, encurralado em magotes,
Vai um a um às mãos
Do magarefe.

Gado com sede,
gado da seca,
pele osso a se desmantelar
na eira ressequida,
onde se extingue de vez.
Esse não leva mais carro,
não puxa o arado,
não atende ao aboio.
Nem carcará sua carcaça vem rapinar.



Gado branco, gordo,
semen que vale milhão!
Gado rico
Nelore, Zebu,Caracu
que é lavado com xampu,
escovado e tratado como veludo.
Gado de exposição.
Mas é gado de manobra!
Nunca fez esforço, não.
Touro reprodutor,
Vaca de gordas tetas
Mil litros de leite a espirrar!
Gado de classe,
gado de corte,
gado de ordenha,
gado de leilão,
gado de feira.
Até gado tem destinos diferentes.


Tudo é força invisível
E ele não sabe disso, não.
Ele ignora que pode tudo isso destruir.

O boiadeiro tange a boiada
por veredas, rios, estradinhas
sob o sol, pelas chuvas
nas enchentes e atoleiros...





Atravessar rio de piranhas,
qual será o boi delas
para toda a boiada passar livre?
E lá vai a comitiva!
Cabisbaixa,  nem desconfia
da força que carrega nas patas,
nos chifres e no corpanzil.
Nada de estouro de boiada,
vai seguindo cegamente,
controlada e guiada.


E à frente o aboio tocando.
Vão por léguas e léguas
Até chegar ao destino,
uma outra fazenda,
para o abatedouro.
Triste o olhar desse gado,
olho de boi, de vaca, é tristonho
e conformado.
E assim, silencioso, sabe que chegou
ao fim a comitiva.
Pressente que chegou o momento derradeiro
da caminhada, porque ali
é o final de sua vida.

 Ó boiadeiro, toca o aboio
avisando que a comitiva chegou!


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POESIA - RECESSO



  RECESSO

Estou em recesso,
ou minha inspiração está empanada?
Nada me convida,
Nada me segreda  à alma.

Ontem uma borboleta negra entrou em minha sala.
Linda, misteriosa e inquieta
deu uma volta ao redor e se foi.
Pela janela entrou e por ela saiu.


A natureza sempre vem até mim,
de alguma forma vem bulir em sentimentos.
Mas estou em recesso.
Nada mais me ocorre dizer.
Era só uma borboleta.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

POESIA - COTIDIANO DA LABUTA

POESIA

                            COTIDIANO DA LABUTA             
As portas se abrem.
Fim da viagem.
Povo que salta,
aos magotes na gare.

A barca atraca no cais.
Lá vem o povaréu,
como procissão saindo
rumo à cidade.

Ponto final.
Ônibus abrindo portas e ali,
só desce um por vez..
Ligeiro, livre daquele cativeiro.

Cotidiano!

Cada qual no seu passo
Busca ansioso o rumo
Do trabalho!
Olhados assim parecem
Desprovidos de ideias
Tal a mecânica diária.
Repetitiva!
O sol nascendo, início de jornada,
Para aquele povo que salta como
Pipoca em óleo quente.
Mochila, bolsa, pasta ou embrulho,
O almoço que ali vai sacolejando!

Esse turbilhão de gente,
Quase correndo,
Que todos os dias é lançado
Nas estações, é trabalhador!
Povo mal dormido!
Povo mal alimentado!
Povo mal remunerado!
E o patrão não espera,
O governo não considera,
A vida não refrigera,

Labuta!

Mãos calejadas.
Pés cansados.
Mentes que sonham
Sonhos rasinhos, pequenos.
Não há como imaginar grandeza,
quando a pobreza não dá horizonte.
E a alma é sempre carente.
Alegria pra essa gente
É uma cerveja, um amor e um samba
De batida quente.
Pelada na várzea,
Criançada correndo,
Pipas coloridas cruzando os céus,
Almoço aos domingos, fora,
Mesa no quintal.
Fim de semana!
À noite deitar pensando no dia seguinte.
Madrugar do sono,
Um gole de café no copo de geléia,
Correr pra condução
Rezando pra ela não atrasar.

Essa vida é uma bola de papel marché,
Colado pedaço a pedaço,
Dia após dia.
O tempo correndo nas linhas da vida,
o trem nos trilhos que cortam a cidade,
a barca que singra as águas da baia suja,
o ônibus que atravessa bairros distantes.
E todo mundo rolando com esta bola de papel
E dizer que tudo isso
para no final ver a cor
De um mísero salário.
Alguém sempre será pobre,
Para que outro seja eternamente rico

- Vida miserável! -

Viagem que cansa
Mais que o trabalho em si.
E a noite tudo se refaz
Até no longínquo chegar.

 - Dormitório! -

Esta gente dá lição de vida,
Para eles não há depressão.
Vivem a vida com o que ela lhes dá.
Têm bom humor,
Inventam piadas
Em cima de desgraças,
Não têm ilusões.
Algumas superstições.
Apostam na sorte
Jogam na loto
Torcendo para ganhar os milhões!

 - Otimismo! -

São felizes cada qual a seu jeito,
De acordo com seu feito.
São eles os que realmente carregam este país!



Vida de gente!
Gente de fé!
Fé inabalável ante as desgraças
Nas vicissitudes,
a natureza não colabora!
Têm seus santos de devoção,
Seus padroeiros,
Missas, rezas, terços, ladainha
Romaria e procissão.
E ainda cortejam os orixás,
Fazem simpatias e carregam patuás!
Sempre selam suas palavras,
Diante de acidentes e catástrofes:
- ¨Graças Deus, o senhor nos protegeu,
Tenho fé em Deus e na Virgem Maria¨.
A crença e a fé vicejam nesses corações.

 - Esperança! -

Fim do sono,
Pula da cama,
Mais um dia começa,
Uma nova jornada
Desse povo que trabalha
Com as bênçãos de Deus!






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